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Um olhar sobre Scott Pilgrim

setembro 18, 2010

Scott Pilgrim é uma merda. A novela teen-nerd de Bryan Lee O’Malley é uma das HQs mais comentadas no último ano, parte graças ao filme Scott Pilgrim vs. The World, parte graças ao fim da série em quadrinhos lá nos EUA. Infelizmente, tanta divulgação criou uma atmosfera desagradável em torno da publicação. Ela é o novo hype do mundo quadrinístico. Alguns sem-noção, especialmente os “novos leitores” de comics (os mesmos que ouvem Restart) chegam a considerá-la a salvação das HQs ou coisa pior. Mas deixem todas essas chatices de lado e realizemos uma análise: Scott Pilgrim é mesmo tudo isso?

Sinceramente? Não. Difícil encontrar algo de espetacular na história. O roteiro é bastante comum e, caso fosse publicada de outra forma, seria chato pra caralho. Uma história indie-adolescente de amor como qualquer outra. O diferencial é que temos este modelo brutalmente potencializado com elementos nerds. A arte, por sua vez, não impressiona, mas também não incomoda. Agrada os leitores acostumados com mangás, mas, convenhamos, elas não são nada demais. Se há um elemento realmente louvável da história são as referências nerds espalhadas pela trama. Várias citações, principalmente aos games, chegando a um ponto de você pensar que a história acontece num jogo de RPG. Isso é bem legal, ok, mas é meio exagerado. Chega um momento da leitura que enche o saco e você fica procurando eventos verossímeis por todos os lados sem encontrar.

Mas, digam-me, por que Scott Pilgrim conquistou tantos fãs e é tão elogiado por todos? Porque é uma merda! Entendam, Scott Pilgrim é uma série sem qualquer pretensão. Imagino que O’Malley, ao escrever a história, não teve qualquer intenção de ser genial, provocar algum sentimento ou reflexão, nada, NADA disso. Ele só queria se divertir na produção e divertir os outros durante a leitura. Para isso, fez uma história leve, agradável, cheia de elementos pra você, que joga Super Nintendo desde guri, achar que alguém no universo finalmente te entendeu. Infelizmente, acho que todo o hype por trás de Scott Pilgrim a colocou num nível de genial, e não sei onde isso começou. Erro de quem pega um exemplar da revista pensando que tem em mãos um novo Sandman ou Watchmen. Isso é um erro enorme e pode comprometer toda a diversão da leitura. Aliás, qualquer expectativa sobre a leitura de Scott Pilgrim é negativa. Esperar demais da publicação é um erro.

Scott Pilgrim é assim, uma merda mal-feita mas super divertida. É como uma conversa com aqueles amigos babacas. Você fala besteira por horas, perde um tempão nessa brincadeira, dá risada, e depois volta pra sua vida. Você não leva nada daquela conversa pro seu dia-a-dia, não fica interpretando aquele conteúdo. Scott Pilgrim é pra você ler, se divertir, fechar a revista, deixá-la na estante e pronto, voltar para sua vida. Não é uma obra de arte e nunca teve a intenção de ser. Então, por favor, parem de ficar comentando sobre a história, analisando-a, considerando-a uma grande obra, salvação do universo, melhor série dos últimos anos ou sei lá o quê.

Pra falar a verdade e ser coerente, nem esse post eu deveria ter feito. Mas não aguentei tanta chatice que andei lendo. Vou aqui ler o final da saga e prometo nunca mais tocar no assunto. Façam o mesmo e divirtam-se!

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