Um olhar sobre Scott Pilgrim

Scott Pilgrim é uma merda. A novela teen-nerd de Bryan Lee O’Malley é uma das HQs mais comentadas no último ano, parte graças ao filme Scott Pilgrim vs. The World, parte graças ao fim da série em quadrinhos lá nos EUA. Infelizmente, tanta divulgação criou uma atmosfera desagradável em torno da publicação. Ela é o novo hype do mundo quadrinístico. Alguns sem-noção, especialmente os “novos leitores” de comics (os mesmos que ouvem Restart) chegam a considerá-la a salvação das HQs ou coisa pior. Mas deixem todas essas chatices de lado e realizemos uma análise: Scott Pilgrim é mesmo tudo isso?

Sinceramente? Não. Difícil encontrar algo de espetacular na história. O roteiro é bastante comum e, caso fosse publicada de outra forma, seria chato pra caralho. Uma história indie-adolescente de amor como qualquer outra. O diferencial é que temos este modelo brutalmente potencializado com elementos nerds. A arte, por sua vez, não impressiona, mas também não incomoda. Agrada os leitores acostumados com mangás, mas, convenhamos, elas não são nada demais. Se há um elemento realmente louvável da história são as referências nerds espalhadas pela trama. Várias citações, principalmente aos games, chegando a um ponto de você pensar que a história acontece num jogo de RPG. Isso é bem legal, ok, mas é meio exagerado. Chega um momento da leitura que enche o saco e você fica procurando eventos verossímeis por todos os lados sem encontrar.

Mas, digam-me, por que Scott Pilgrim conquistou tantos fãs e é tão elogiado por todos? Porque é uma merda! Entendam, Scott Pilgrim é uma série sem qualquer pretensão. Imagino que O’Malley, ao escrever a história, não teve qualquer intenção de ser genial, provocar algum sentimento ou reflexão, nada, NADA disso. Ele só queria se divertir na produção e divertir os outros durante a leitura. Para isso, fez uma história leve, agradável, cheia de elementos pra você, que joga Super Nintendo desde guri, achar que alguém no universo finalmente te entendeu. Infelizmente, acho que todo o hype por trás de Scott Pilgrim a colocou num nível de genial, e não sei onde isso começou. Erro de quem pega um exemplar da revista pensando que tem em mãos um novo Sandman ou Watchmen. Isso é um erro enorme e pode comprometer toda a diversão da leitura. Aliás, qualquer expectativa sobre a leitura de Scott Pilgrim é negativa. Esperar demais da publicação é um erro.

Scott Pilgrim é assim, uma merda mal-feita mas super divertida. É como uma conversa com aqueles amigos babacas. Você fala besteira por horas, perde um tempão nessa brincadeira, dá risada, e depois volta pra sua vida. Você não leva nada daquela conversa pro seu dia-a-dia, não fica interpretando aquele conteúdo. Scott Pilgrim é pra você ler, se divertir, fechar a revista, deixá-la na estante e pronto, voltar para sua vida. Não é uma obra de arte e nunca teve a intenção de ser. Então, por favor, parem de ficar comentando sobre a história, analisando-a, considerando-a uma grande obra, salvação do universo, melhor série dos últimos anos ou sei lá o quê.

Pra falar a verdade e ser coerente, nem esse post eu deveria ter feito. Mas não aguentei tanta chatice que andei lendo. Vou aqui ler o final da saga e prometo nunca mais tocar no assunto. Façam o mesmo e divirtam-se!

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5 Respostas to “Um olhar sobre Scott Pilgrim”

  1. Eduardo Mafra Says:

    Sei lá man, aprecio muitas “babaquices”. Love Hina, Ace Ventura… Acredito que o valor de uma obra esteja em como ela se realiza, mesmo que a história dela seja clichê. Avatar por exemplo, apesar do roteiro monstruosamente batido, foi extremamente bem realizado, e para mim é um filme bom de verdade. Não espero mais do que diversão numa obra de arte, afinal, para ver conteúdo, prefiro ler manifesto ou texto acadêmico. Scott Pilgrim é legal justamente pela onda das referências, é legal, e uma galera se identifica com a idéia, que é divertida.

  2. Caio Says:

    “Erro de quem pega um exemplar da revista pensando que tem em mãos um novo Sandman ou Watchmen.”. Essa frase foi demais. Você pensou isso? Por que eu não. Eu só fui conhecer o que era Scott Pilgrim após ver o trailer em um blog nerd. Meses depois foi que eu tive a curiosidade de ler o primeiro volume original. Sim, o desenho e a história não é bem trabalhado como Watchmen e nunca deveria ser. Scott Pilgrim é Scott Pilgrim. Os elementos e referências a games e ao mundo nerd são bem colocadas na história, o que me faz pensar se alguma outra HQ indie teve coisas tão divertidas como esta. Toda revista e filme deveria ser vista com a mente aberta e sem pensar se parece ou deveria parecer com alguma outra história. Achou uma merda essa obra do autor? Então por que não parou de ler? Você deve ser nerd e eu sei que nem todos os nerds gostam de Star Wars, outros preferem Star Trek. Então, não me irrito se a Turma da Mônica Jovem quer ser parecida com mangá, faz mais sucesso aqui do que mangás e é TOTALMENTE diferente das histórias orientais de sucesso. Se você começou a ler a HQ pensando encontrar algo incrível, comparando às obras de Neil Gaiman, Alan Moore, Mark Millar, bom, foi um erro. E falar que fãs de Restart são os “novos leitores” de comics e que possuem mal gosto? Minha irmã ouve Restart e lê mangás muito bons. Esse preconceitozinho e isso de criticar antes de sequer saber a história toda realmente me irrita.
    Sabe qual foi o seu problema? Ler a HQ com o pensamento de que seria tão foda como falavam e tão foda quanto outra HQ que você já tinha lido.
    É disso que eu tenho medo. De que algo indie interessante e bom (música, comics, etc.) acabe virando modinha, por que no final, sempre tem alguém para criticar a obra negativamente. Achou ruim? Não perca seu tempo lendo o resto da história ou então faça melhor.

    • Vitor Villar Says:

      acho que você não entendeu o propósito do texto. enfim, eu falei que scott pilgrim nunca deveria ser comparada com grandes obras de HQ, como watchmen. quem faz isso comete um erro absurdo: não percebe o melhor da obra, que é a diversão que ela proporciona. não fiz isso, claro. mas infelizmente conheço pessoas que pegaram a revista esperando ler a grande maravilha do século XXI, justamente pelo hype criado em torno dela. foi isso que escrevi no texto, percebeu? na verdade gosto muito de scott pilgrim, mas sei colocá-la no seu devido lugar. justamente por isso, consegui absorver o melhor dela, na minha opinião, que é a capacidade de divertir o leitor. esta é uma obra sem qualquer outra pretensão.
      sua resposta foi meio radical, sua abordagem é diferente, mas acredito que defendemos scott pilgrim do mesmo mal: rotulações.

  3. Caio Says:

    Mas onde foi parar meu comentário? Não é um blog com comentários a serem feitos sobre posts?
    Eu apenas deixei meu comentário. Mas agora que vi que apagou o que escrevi, vejo que tem medo do que os outros pensam.

    Acho que alguém ficou receoso de dar resposta ao que escrevi… Gostei dos outros posts. Mas deste… e da sua reação quanto ao que escrevi definitivamente mostra seu medo às opiniões alheias.

    Gosta de criticar os outros, ser preconceituoso, mas tem medo de ser criticado, senhor Jornalista? Coisa feia… Acostume-se, jornalista, a ter opiniões a seu respeito também.

    • Vitor Villar Says:

      eauuahae calma, cara. o comentário precisa de aprovação antes de sair aqui. eu apenas não tinha aprovado ainda. agora está aí sua opinião, pra todo mundo ler.

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